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Gladson Cameli: 61% das promessas não cumpridas em 3 anos e meio

ResumoGladson Cameli cumpriu integralmente apenas 9 dos 36 compromissos assumidos em 2022, deixando 61% das promessas sem conclusão após três anos e meio de mandato. O levantamento revela impacto direto na gestão do Acre, com baixa execução de metas e desafios para a administração estadual.

Após três anos e meio de mandato, Gladson Cameli deixou 61% das promessas de 2022 sem conclusão. O levantamento aponta que apenas 9 dos 36 compromissos foram integralmente executados. Entenda o impacto para o Acre.

HB
Heloísa Brandt
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Gladson Cameli: 61% das promessas não cumpridas em 3 anos e meio
Foto: Imagem ilustrativa · Vistok

Após três anos e meio de mandato, Gladson Cameli deixou 61% das promessas de 2022 sem conclusão. O levantamento aponta que apenas 9 dos 36 compromissos foram integralmente executados. Entenda o impacto para o Acre.

Da promessa ao abandono: três anos e meio depois, Gladson Cameli encerra mandato com 61% das promessas não cumpridas e obras inacabadas

Após três anos e meio no comando do Governo do Acre, Gladson Cameli (PP) encerrou sua administração para disputar uma vaga no Senado Federal em 2026 deixando a maior parte das promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2022 sem conclusão. O levantamento realizado sobre o cumprimento do plano de governo mostra que apenas nove dos 36 compromissos assumidos foram integralmente executados até junho deste ano. Isso significa que 61% das promessas ficaram pelo caminho, um número que impacta diretamente a vida dos acreanos que esperavam melhorias em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

O que mostra o balanço de gestão de Gladson Cameli

O balanço revela que o ex-governador cumpriu apenas 25% das promessas registradas durante a campanha. Além das nove totalmente executadas, outras cinco foram consideradas parcialmente cumpridas, enquanto 22 compromissos permanecem pendentes, sem conclusão ou sequer iniciados. A análise considera todas as ações realizadas entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026, período correspondente aos três anos e meio de mandato antes da renúncia de Gladson Cameli para participar das eleições deste ano. Atualmente, o governo estadual é comandado por Mailza Assis, que assumiu a administração e é pré-candidata à reeleição.

Promessas cumpridas: o que saiu do papel

Entre as promessas efetivamente entregues estão a revitalização da Biblioteca da Floresta, a reforma do Palácio Rio Branco, a realização do concurso da Polícia Penal, a implantação do Sistema de Compras e Contratos, a ampliação da transparência pública e a criação da Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer. Também foram registrados avanços em tecnologia e inovação, com a criação do Conselho Estadual de Inovação e investimentos na Infovia Acre.

Mesmo entre os compromissos considerados cumpridos, alguns enfrentaram atrasos significativos. A Biblioteca da Floresta, por exemplo, permaneceu fechada durante seis anos antes de ser reaberta após investimentos superiores a R$ 4,4 milhões. O Palácio Rio Branco também passou mais de um ano em obras até voltar a receber servidores e visitantes.

Educação: promessa de novos centros de EJA não saiu do papel

Na área da educação, uma das promessas não concretizadas foi a criação de dois novos Centros de Referência para Educação de Jovens e Adultos (EJA). Apesar da expansão da oferta da modalidade em escolas da rede estadual, o Acre continua contando apenas com um centro exclusivo para esse público, localizado em Rio Branco.

Cultura: Teatro Plácido de Castro segue fechado e Sistema de Museus não foi criado

Outra promessa que continua sem execução foi a criação do Sistema Estadual de Museus. Embora a Fundação Elias Mansour tenha firmado cooperação com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o sistema previsto no plano de governo ainda não foi oficialmente implantado. Na área da cultura, o Teatro Plácido de Castro permanece fechado para reformas há mais de cinco anos. A obra teve sucessivos adiamentos e, embora o governo informe que os serviços continuam, o espaço segue indisponível para artistas e para o público acreano.

Segurança pública: Delegacia Ambiental nunca funcionou

Na segurança pública, o concurso da Polícia Penal foi realizado, mas outras promessas ficaram pelo caminho. A Delegacia Especializada em Crimes Ambientais, regulamentada por portaria em 2024, nunca entrou efetivamente em funcionamento conforme havia sido prometido. Também não houve ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. O estado continua contando apenas com unidades em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, apesar do compromisso de expandir esse serviço para outras regiões do Acre.

Infraestrutura: estradas, aeródromos e pontes seguem inacabados

Na infraestrutura, uma das principais frustrações envolve a ligação terrestre entre Porto Walter e Rodrigues Alves. A abertura da estrada, anunciada como prioridade, não foi concluída e acabou sendo alvo de questionamentos do Ministério Público Federal devido aos impactos ambientais sobre terras indígenas. Outra promessa importante que não saiu do papel foi a construção dos aeródromos em Brasiléia, Epitaciolândia e Sena Madureira. Segundo o governo, a falta de recursos financeiros inviabilizou o início das obras previstas durante a campanha. A ligação da Rodovia AC-90 ao Rio Iaco, em Sena Madureira, também permaneceu apenas no plano de governo. O Executivo informou que a ausência de licenciamento ambiental impediu o avanço do projeto, apesar de investimentos em manutenção da Transacreana. A prometida estrada internacional entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, continua restrita às discussões diplomáticas e estudos técnicos. O convênio para viabilizar recursos nunca foi firmado, mantendo a obra apenas no campo das tratativas entre Brasil e Peru.

Em Rio Branco, diversas obras estruturantes também seguem incompletas. A ponte ligando o Bairro Quinze à Baixada da Sobral, o Arco Metropolitano, a Orla do Bairro Quinze e a Orla da Epaminondas Jácome ainda não foram entregues à população, embora algumas estejam em fase de licitação ou execução inicial. Outro compromisso pendente é a revitalização completa dos parques da Maternidade e do Tucumã, dois dos principais espaços públicos da capital. A ordem de serviço foi assinada apenas em 2026, deixando a conclusão da obra para a atual gestão estadual.

Saúde: nova maternidade foi entregue parcialmente

Na saúde, a nova Maternidade Marieta Cameli foi entregue apenas parcialmente. A primeira etapa entrou em funcionamento, mas o complexo ainda depende da conclusão das fases seguintes para operar plenamente conforme o projeto original. Também ficou sem cumprimento a promessa de realizar concurso específico voltado à saúde mental. Embora profissionais tenham sido convocados em concursos gerais, não houve seleção exclusiva para ampliar a assistência especializada na área.

Esporte e lazer: Bolsa Atleta nunca foi implantado

No esporte, apesar da criação da Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer, o Programa Bolsa Atleta estadual nunca foi implantado. O governo afirma que optou por priorizar o custeio de passagens para competições, mas atletas continuam sem o auxílio financeiro prometido durante a campanha.

Outras promessas que ficaram no papel

Outras propostas permaneceram apenas no papel, como a criação de um programa estadual de qualificação profissional, o desenvolvimento de um aplicativo para divulgação das rotas turísticas, a implantação de um laboratório para controle da qualidade de alimentos destinados à exportação e a recuperação da Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá.

O que esperar da gestão de Mailza Assis

Com a saída de Gladson Cameli do governo, caberá agora à gestão de Mailza Assis decidir quais dessas promessas terão continuidade. O balanço dos três anos e meio de administração mostra que, apesar da conclusão de algumas obras e projetos importantes, a maior parte dos compromissos apresentados aos eleitores em 2022 permaneceu sem execução integral, deixando uma extensa lista de metas para os próximos anos.

Perguntas Frequentes

Quantas promessas Gladson Cameli cumpriu?

Dos 36 compromissos assumidos, 9 foram integralmente executados, o que representa 25% do total.

Qual o percentual de promessas não cumpridas?

61% das promessas ficaram pendentes, ou seja, 22 compromissos sem conclusão ou sequer iniciados.

Quem assumiu o governo do Acre após a saída de Cameli?

Mailza Assis assumiu a administração estadual e é pré-candidata à reeleição.

Quais obras de infraestrutura ficaram inacabadas?

Estradas como a ligação Porto Walter-Rodrigues Alves, aeródromos em Brasiléia, Epitaciolândia e Sena Madureira, além de pontes e orlas em Rio Branco.

O Teatro Plácido de Castro foi reformado?

Não. O teatro permanece fechado para reformas há mais de cinco anos, sem previsão de reabertura.

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Heloísa Brandt

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