Sobretaxa, a blindagem e o orgulho cego: Acre perde pouco, dizem economistas
Sobretaxa de 25% anunciada pelos EUA tem impacto limitado no Acre. Economistas e empresários locais avaliam que a região perde pouco, protegida pela baixa atividade industrial. Apenas castanha e madeira geram alguma apreensão, mas já houve diversificação de clientes.
Sobretaxa de 25% anunciada pelos EUA tem impacto limitado no Acre. Economistas e empresários locais avaliam que a região perde pouco, protegida pela baixa atividade industrial. Apenas castanha e madeira geram alguma apreensão, mas já houve diversificação de clientes.
Sobretaxa, a blindagem e o orgulho cego: Acre perde pouco, dizem economistas
A sobretaxa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos tem impacto limitado no Acre. Economistas e empresários locais ouvidos pelo editorialista foram unânimes: a região perde pouco. A baixa atividade industrial e a dependência dos repasses federais blindam a economia local, ao contrário do que deve ocorrer em regiões mais industrializadas, como a indústria de calçados no Rio Grande do Sul e no interior de São Paulo, além de máquinas de pequeno porte e alguns segmentos da agropecuária.
Por que o Acre é blindado pela própria fragilidade econômica?
A chamada "economia de olerite", de baixa complexidade industrial, acaba filtrando os efeitos da crise. Enquanto setores mais expostos, como a indústria calçadista gaúcha e paulista, devem sentir o peso da tarifa, o Acre permanece periférico. A blindagem vem da fragilidade, não de decisões estratégicas.
Quais setores acreanos sentem a sobretaxa?
Dois segmentos geram alguma apreensão: a indústria ligada à castanha-do-Brasil (ou castanha-da-Amazônia) e a indústria madeireira. No entanto, empresários e dirigentes acreanos que mantêm negócios com os EUA já se calejaram com os rompantes do governo Trump e partiram para diversificar a lista de clientes. O primeiro anúncio assustou mais.
No caso da castanha, o anúncio ocorreu no meio de negociações, gerando uma situação delicada. Já na madeira, o cenário é menos assustador porque o comércio já vinha em retração. Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, que desenvolveu o sistema Simex, o Acre teve redução de 49% na exploração de madeira entre agosto de 2023 e julho de 2024. Para efeito de comparação, as indústrias madeireiras do interior do Paraná e da Serra Gaúcha serão gravemente atingidas, com queda estimada de 30% na atividade e demissões previstas.
E a carne bovina acreana?
A carne bovina não sente os efeitos da sobretaxa por dois motivos. Primeiro: o produto ficou de fora da nova tarifa. Segundo: nenhum dos quatro frigoríficos sifados do Acre está habilitado a exportar para os Estados Unidos.
O que os números revelam sobre a relação comercial?
As bravatas do presidente norte-americano dialogam mais com o cenário político do que com a lógica econômica. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os EUA registram superávit de US$ 7,5 bilhões no comércio com o Brasil. Além disso, o Brasil exporta cerca de 3 mil itens para os EUA, dos quais 2,2 mil foram poupados da tarifa adicional.
Durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano, o indicado Daniel Pérez admitiu publicamente o "enorme superávit" dos EUA. Todos os jornais noticiaram.
O cenário político por trás da sobretaxa
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, mantém disputa interna com o vice-presidente J.D. Vance para ser o indicado à sucessão de Trump. A América Latina é o palco de Rubio, e o Brasil é a joia regional da vez no radar do Maga (Make America Great Again).
Nunca é demais lembrar: o Pix nunca ameaçou os cartões de crédito norte-americanos; o argumento ambiental de Trump soa como piada para quem desregulamentou o setor energético e saiu do Acordo de Paris, sem contar que o desmatamento no Brasil reduziu.
O paradoxo acreano: blindado, manco e cego
O Acre assiste a tudo de forma periférica. Protegido pela fragilidade, não pelas decisões econômicas. Enquanto as defesas não são necessárias, as negligências políticas seguem. O arquiteto e promotor da nova sobretaxa lidera as pesquisas eleitorais locais. Blindado, manco e cego, há quem se orgulhe e repita a frase de Emílio Asmar: "Isto é o Acre, porra!"
Perguntas Frequentes
O Acre será muito afetado pela sobretaxa de 25%?
Não. Economistas e empresários locais avaliam que a região perde pouco, protegida pela baixa atividade industrial.
Quais setores acreanos podem ser afetados?
Castanha-do-Brasil e madeira geram alguma apreensão, mas a diversificação de clientes ameniza o impacto.
A carne bovina acreana será taxada?
Não. Carne bovina ficou de fora da sobretaxa, e nenhum frigorífico acreano está habilitado a exportar para os EUA.
Qual o superávit dos EUA com o Brasil?
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o superávit dos EUA é de US$ 7,5 bilhões.
Quantos itens brasileiros foram poupados da tarifa?
Dos cerca de 3 mil itens exportados, 2,2 mil foram poupados da tarifa adicional.
Quem admitiu o superávit dos EUA?
O indicado Daniel Pérez, durante sabatina no Senado norte-americano, admitiu o "enorme superávit".
Heloísa Brandt
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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