Prédio onde Hitler nasceu vira delegacia na Áustria para barrar peregrinação neonazista
A Áustria abre delegacia no prédio onde Hitler nasceu, em Braunau am Inn, para barrar peregrinação neonazista. Reforma de 20 milhões de euros e debate sobre memória pública.
A Áustria abre delegacia no prédio onde Hitler nasceu, em Braunau am Inn, para barrar peregrinação neonazista. Reforma de 20 milhões de euros e debate sobre memória pública.
Prédio onde Hitler nasceu vira delegacia na Áustria para barrar peregrinação neonazista
A Áustria abre nesta semana uma delegacia no prédio onde Adolf Hitler nasceu, em 1889, em Braunau am Inn, no norte do país. A medida busca impedir que o endereço vire local de peregrinação para extremistas de extrema direita. A reforma custou 20 milhões de euros, cerca de R$ 127 milhões, e ocorreu após a nacionalização do edifício, localizado na fronteira com a Alemanha. O ministro do Interior, Gerhard Karner, deve inaugurar oficialmente a unidade policial na quarta-feira (22).
Por que uma delegacia no lugar de um museu?
O governo austríaco criou uma comissão de especialistas para decidir o destino do imóvel. O grupo rejeitou transformar a casa em museu por avaliar que um espaço de memória poderia ser apropriado ou distorcido por visitantes simpatizantes do nazismo. A demolição também saiu da lista de opções porque o prédio, construído no século XVII, integra o centro histórico de Braunau am Inn e conta com proteção das leis de preservação do patrimônio.
O relatório de 2016 e a decisão final
O relatório elaborado em 2016 pela comissão, formada por 13 especialistas, apontou que o uso como delegacia restringe o acesso público ao endereço e mantém a presença permanente do Estado no local. O documento também associou a medida a uma mensagem de estabilidade e confiança à população.
Críticas e pesquisa de opinião
A solução continua sob críticas na Áustria. Em uma pesquisa realizada em 2023 com mil pessoas, apenas 6% defenderam uso administrativo para o prédio; mais da metade preferia um centro dedicado à memória, ao antifascismo e à tolerância, enquanto um quarto apoiava a demolição.
A história do prédio antes da delegacia
Durante o regime nazista, a casa virou ponto de veneração ao ditador e recebeu o nome de "Galeria Braunau na Casa Natal do Führer". Depois da restituição aos proprietários originais, em 1952, o governo voltou a alugá-la; ao longo das décadas, o imóvel funcionou como escola e centro de assistência social, até a desapropriação pelo Estado em 2016, após anos sem uso.
A intervenção arquitetônica
O arquiteto austríaco Stefan Marte, responsável pela obra, afirmou que a intervenção buscou recuperar características originais do edifício do século XVII, em vez de apenas retirar alterações feitas durante o período nazista, em 1938.
Contexto da memória pública do nazismo na Áustria
O debate sobre o prédio se conecta à revisão da memória pública do nazismo na Áustria. Durante décadas, o país sustentou a narrativa de que teria sido apenas vítima da anexação pela Alemanha nazista, em 1938, mas passou a reconhecer também a participação de austríacos na liderança do regime de Hitler. Em Viena, a sacada histórica do Palácio Hofburg, de onde Hitler discursou após a anexação da Áustria, permanece parcialmente fechada para evitar associações com o ditador. Outro caso envolve a estátua do ex-prefeito Karl Lueger: o monumento foi inclinado 3,5 graus neste ano para contextualizar criticamente suas posições antissemitas, e seu nome já havia sido retirado em 2012 de um trecho da Ringstrasse.
Perguntas Frequentes
Quando a delegacia será inaugurada?
A inauguração oficial será na quarta-feira (22), pelo ministro do Interior, Gerhard Karner.
Por que não transformar o prédio em museu?
A comissão de especialistas rejeitou a ideia por avaliar que um espaço de memória poderia ser apropriado ou distorcido por visitantes simpatizantes do nazismo.
Qual foi o custo da reforma?
A reforma custou 20 milhões de euros, cerca de R$ 127 milhões.
O que a pesquisa de 2023 revelou?
Em pesquisa com mil pessoas, apenas 6% defenderam uso administrativo; mais da metade preferia um centro dedicado à memória, ao antifascismo e à tolerância.
Quem foi o arquiteto responsável?
O arquiteto austríaco Stefan Marte foi o responsável pela obra.
Sofia Mendes Carvalho
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
Ver todos os artigos →