Plano de Bocalom aposta em agro, segurança e infraestrutura
O plano de governo de Tião Bocalom para o Acre 2027-2030 aposta no agronegócio, segurança rural e infraestrutura, com lema 'produzir para empregar' e reestruturação logística.
O plano de governo de Tião Bocalom para o Acre 2027-2030 aposta no agronegócio, segurança rural e infraestrutura, com lema 'produzir para empregar' e reestruturação logística.
O ex-prefeito de Rio Branco e candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom, apresentou as diretrizes de seu plano de governo para o período de 2027 a 2030. Sob o título "Trabalho, experiência e compromisso com todo o Acre", o documento estrutura a transformação da matriz econômica estadual como pilar central. A aposta está no avanço do agronegócio, na industrialização, na bioeconomia e na inserção do Estado no comércio internacional.
O lema que resume a visão do candidato é direto: "Campo rico, cidade rica; campo pobre, cidade pobre". A proposta defende a expansão das áreas produtivas com sustentabilidade, a modernização da gestão pública e a revisão de gargalos burocráticos e ambientais para atrair investimentos. É um plano que coloca a produção no centro do desenvolvimento, com um olhar atento para quem vive no interior.
Agro forte, Porto Seco e a ligação com o Pacífico
A estratégia econômica prevê colocar a agricultura e a pecuária como motores do desenvolvimento acreano. As propostas abrangem desde o fortalecimento da agricultura familiar até o estímulo às cadeias de café, cacau, açaí e banana. Para dar suporte a essa visão, o plano inclui a criação de uma agência estadual de inteligência de mercado.
Um dos pontos centrais é resolver os gargalos estruturais de produção e regularização. Para isso, Bocalom propõe um conjunto de ações articuladas:
- Recriação da Emater: garantia de assistência técnica gratuita e contínua a pequenos produtores em todos os municípios.
- Regularização Fundiária: criação de um programa para acelerar a titulação de terras, com subsídio ao georreferenciamento de pequenas propriedades e uma Câmara Permanente de Conciliação de Conflitos Fundiários.
- Invest Acre: agência voltada à atração de capital privado e redução do "Custo Acre", além da revisão de regras do diferencial de alíquota do ICMS.
- Hub Logístico e Rota do Pacífico: aproveitamento do Corredor Bioceânico com foco na exportação via portos peruanos, incluindo Matarani, Ilo e Chancay. O plano prevê a criação de um Porto Seco integrado à ZPE de Senador Guiomard e a modernização das aduanas em Epitaciolândia e Assis Brasil.
A aposta na logística é clara: conectar o Acre ao Pacífico pode mudar o jogo para os produtores locais. Quem vive do campo sabe que escoar a produção é tão importante quanto produzir.
Segurança pública: Batalhões Rurais e inteligência artificial
O projeto para a segurança pública, chamado Programa Acre Mais Seguro, aposta em tecnologia e presença ostensiva nas zonas de produção. A ideia é levar proteção para quem está no campo, não apenas para a capital.
- Tecnologia na Fronteira e no Campo: uso de inteligência artificial na tomada de decisões operacionais, ampliação do videomonitoramento, reconhecimento facial e veicular, drones e canais diretos entre produtores e forças policiais.
- Batalhões Rurais: implementação do Programa Campo Seguro para proteger a produção e as famílias do interior.
- Proteção Social: lançamento do Programa Escudo Rosa, voltado ao combate à violência contra a mulher, e estratégias de prevenção para evitar a cooptação de jovens pelo crime organizado.
A combinação de tecnologia e presença física no campo é uma resposta direta a uma demanda antiga dos produtores. A segurança rural deixa de ser coadjuvante e vira prioridade.
Saúde: interiorização e fim da dependência da capital
A diretriz na saúde foca na regionalização para evitar a sobrecarga em Rio Branco e o deslocamento penoso de pacientes do interior. Quem mora longe da capital conhece bem o custo de uma viagem para um exame ou cirurgia.
- Fortalecimento Regional: ampliação de cirurgias eletivas, transformação de unidades mistas em Hospitais de Pequeno Porte e estruturação de centros regionais em Tarauacá e Brasileia.
- Expansão de Serviços Críticos: implantação de UTI pediátrica em Cruzeiro do Sul, novos leitos de UTI no Alto Acre, expansão do serviço de hemodiálise para Sena Madureira e Tarauacá e conclusão do hospital de Xapuri.
- Ações na Capital: construção de um pronto-socorro pediátrico, conclusão da nova maternidade e da UPA da parte alta, reativação da UPA do Tucumã e ampliação do transporte aeromédico.
A proposta é clara: descentralizar o atendimento e levar serviços de média e alta complexidade para mais perto de quem precisa. Isso reduz custos, tempo e sofrimento.
Educação inovadora: viagens à NASA, notebooks e robótica
O plano também traz um pacote de modernização do ensino, com foco no combate à evasão escolar e na inserção tecnológica desde a base. A ideia é estimular o desempenho e abrir portas para o futuro.
- Programa Acre Vai à NASA e DISNEY: seleção anual de pelo menos 50 estudantes da rede pública com melhor desempenho para imersão internacional em ciência, tecnologia e inovação no Centro Espacial da NASA.
- Tecnologia e Formação: inclusão de programação, robótica, ciência de dados e inteligência artificial no currículo escolar, além de concursos públicos e formação continuada para educadores.
- Estímulo Acadêmico: doação de notebooks para alunos concluintes do ensino médio aprovados em universidades públicas, com ampliação do suporte na educação inclusiva e mais professores mediadores.
A educação deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser experiência. Viajar para a NASA pode parecer distante, mas o plano coloca isso como meta concreta para os melhores alunos.
Infraestrutura, Governo Digital e integração regional
O plano se completa com a promessa de cobrança ostensiva ao Governo Federal por intervenções definitivas nas BRs-364 e 317. A manutenção permanente de ramais e a substituição de pontes de madeira por estruturas definitivas de concreto também estão no radar.
Na gestão, a proposta é implantar a Infovia Acre para levar conectividade ao campo, criar uma central unificada de dados estaduais e adotar governança digital para cortar desperdícios e executar obras públicas com rigor.
Para o esporte e cultura, o destaque é a aquisição de quatro ônibus semileitos para o transporte de delegações pelo estado. No turismo, a aposta é no ecoturismo, etnoturismo e rotas regionais, com o Vale do Juruá como prioridade.
Perguntas Frequentes
Quais são os eixos centrais do plano de governo de Bocalom?
Os eixos centrais são o agronegócio, a segurança pública e a infraestrutura, com foco em reestruturação logística, segurança rural e regionalização da saúde.
O que o plano propõe para a segurança no campo?
O plano propõe Batalhões Rurais, uso de inteligência artificial, videomonitoramento, drones e canais diretos entre produtores e forças policiais.
Como o plano pretende melhorar a saúde no interior?
A proposta é regionalizar o atendimento, com centros regionais em Tarauacá e Brasileia, UTI pediátrica em Cruzeiro do Sul e hemodiálise em Sena Madureira e Tarauacá.
O que é o programa Acre Vai à NASA?
É um programa que seleciona anualmente pelo menos 50 estudantes da rede pública com melhor desempenho para uma imersão internacional no Centro Espacial da NASA.
Qual o papel do Porto Seco no plano?
O Porto Seco, integrado à ZPE de Senador Guiomard, é parte da estratégia de aproveitar o Corredor Bioceânico para exportar via portos peruanos.
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Sofia Mendes Carvalho
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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