# Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

> O relatório do Cenipa sobre a queda do voo PS-VPB da Voepass em 2024 identificou falhas no sistema de degelo, manutenção insuficiente e uma cultura organizacional que normalizava desvios. Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves em voos anteriores, contribuindo para o acidente.

*Vistok · Estilo Pessoal · 24 de julho de 2026 · Sofia Mendes Carvalho*

O Cenipa concluiu que a queda do voo PS-VPB, da Voepass, em 2024, foi causada por falhas no sistema de degelo, manutenção insuficiente e uma cultura organizacional que normalizava desvios. Pilotos não relatavam falhas em voos anteriores.

## Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves em voos anteriores, mesmo diante de alertas de gelo e falhas no sistema de degelo. A cultura organizacional de normalizar desvios técnicos foi apontada como um dos principais fatores da queda do voo PS-VPB, em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que resultou em 62 mortes.

O Cenipa analisou os últimos voos da aeronave ATR-72 212A, da marca francesa ATR, operada pela Voepass. Em todos eles, realizados entre cidades do estado de São Paulo, houve detecção de gelo e falha no sistema de degelo. Porém, não houve relato dessas falhas no registro de bordo. "Três tripulações diferentes realizando normalização de desvio [de procedimento]. Fizemos uma análise mais ampla e notamos que outras tripulações também faziam isso, o que demonstra uma cultura organizacional", afirmou o Investigador-Encarregado do Cenipa, Tenente-Coronel Fróes.

## Como a cultura organizacional contribuiu para o acidente

O relatório do Cenipa identificou 19 fatores contribuintes para a queda, mas a cultura organizacional foi o mais presente. "O que podemos afirmar é que essa ocorrência foi um acidente com peso elevadíssimo da parte da cultura organizacional", disse o Brigadeiro do Ar Avellar, chefe do Cenipa.

Essa cultura se manifestava de várias formas. Pilotos e copilotos recebiam alertas do sistema e os desligavam, percebiam falhas nos sistemas de correção, mas não reportavam essas falhas. Mecânicos entrevistados afirmaram que havia troca de componentes em falha entre aeronaves: pegavam componentes com defeito de uma aeronave, instalavam em outra e liberavam para voo.

### Manutenção insuficiente e troca de peças

As investigações mostraram que as manutenções nas aeronaves da Voepass não cumpriam requisitos necessários de segurança. Na ocasião da queda, um representante da empresa afirmou que a aeronave havia passado por manutenção de rotina antes do voo e não apresentava nenhum problema técnico. No entanto, o Cenipa constatou "várias fragilidades nas atividades de manutenção".

## O que aconteceu no voo de Cascavel para Guarulhos

A aeronave partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP). Durante o voo, o sistema alertou para o acúmulo de gelo várias vezes. O sistema também avisou, por oito vezes, que a velocidade estava caindo em virtude do peso do gelo na fuselagem.

O sistema de degelo foi acionado, mas apresentou falha e foi desligado pelos pilotos. Não houve mudança no plano de voo em virtude dessas falhas. O procedimento correto, de acordo com o Cenipa, é reiniciar o sistema. Caso haja uma segunda falha, o sistema deve ser desligado e a aeronave levada a voar em níveis mais baixos, onde as temperaturas são menos extremas. Esse procedimento não foi adotado.

Além das falhas no degelo, a aeronave não poderia ter voado naquele momento por um problema nos limpadores de para-brisa. Essa pane limitava a aeronave a voar apenas quando não estivesse chovendo e não houvesse previsão de chuva por uma hora antes da decolagem e uma hora após o pouso.

### O copiloto esqueceu de ligar o sistema de degelo

Durante o voo, piloto e copiloto conversavam sobre os alertas no painel. Depois de pouco mais de uma hora, o copiloto avisou o piloto que havia esquecido de ligar o sistema de degelo, mesmo após os alertas. Minutos antes da queda, o copiloto comentou que havia "bastante gelo" na aeronave.

## Sobrecarga cognitiva e perda de controle

Próximo ao destino, a aeronave passou a emitir vários alertas simultâneos: excesso de gelo, queda de velocidade pelo peso do gelo. Os pilotos passaram a lidar com várias questões ao mesmo tempo: procedimento de descida, problemas com o gelo e conversas com a torre de comando sobre autorização para pouso.

"O cérebro não consegue gerenciar aquelas informações em excesso. Isso pode ter comprometido a reação deles aos alertas", disse Fróes.

A demora em obter a liberação para pouso, o acúmulo de gelo, as falhas no sistema e a reação tardia dos pilotos contribuíram para a perda gradual de controle. O ATR-72 212A da Voepass entrou em rotação em parafuso e colidiu contra o solo.

## Análise de 15 mil voos revela padrão

O Cenipa analisou 15 mil voos da Voepass para entender possíveis padrões de risco. Desses, 1.674 voos tiveram algum tipo de alerta de degradação de performance. Um desses voos teve perda de controle em algum momento. O Cenipa, no entanto, nunca foi informado desse episódio, algo que deveria ter ocorrido.

Isso reforça a tese de que a cultura de não reportar falhas era sistêmica na empresa, afetando não apenas a tripulação do voo acidentado, mas toda a operação.

## Perguntas Frequentes

### Quais foram as causas da queda da Voepass em Vinhedo?

O Cenipa apontou falhas no sistema de degelo, manutenção insuficiente, troca de componentes defeituosos entre aeronaves e uma cultura organizacional que normalizava desvios técnicos, com pilotos não reportando falhas.

### Quantas pessoas morreram no acidente?

Foram 62 mortos, sendo 58 passageiros e 4 tripulantes.

### O que é o Cenipa?

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos é o órgão responsável por investigar acidentes aéreos no Brasil e propor medidas para evitar novas ocorrências.

### A aeronave tinha problemas conhecidos antes do voo?

Sim. Em voos anteriores, houve detecção de gelo e falha no sistema de degelo, mas as tripulações não relataram essas falhas no registro de bordo. Além disso, a aeronave tinha um problema nos limpadores de para-brisa que restringia as condições de voo.

### O que os pilotos poderiam ter feito diferente?

O procedimento correto, segundo o Cenipa, era reiniciar o sistema de degelo após a primeira falha. Em caso de segunda falha, o sistema deveria ser desligado e a aeronave levada a voar em níveis mais baixos. Além disso, deveriam ter alterado o plano de voo ao perceber as falhas.

### Onde posso acessar o relatório completo?

O relatório completo do Cenipa está disponível no site oficial do órgão relatório Cenipa Voepass.

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Fonte (canonical): https://vistok.com.br/estilo-pessoal/pilotos-voepass-nao-relatavam-falhas-aeronaves-diz-cenipa/
