Motivos de uns e outros: crônica sobre Argentina x Espanha na Copa
Os pássaros que avisavam sobre os vencedores sumiram de Copacabana. Agora, sem a profecia voadora, o colunista busca motivos na literatura de Borges e García Lorca para entender quem merece erguer a taça: o veterano argentino Lionel Messi ou o jovem espanhol Lamine Yamal.
Os pássaros que avisavam sobre os vencedores sumiram de Copacabana. Agora, sem a profecia voadora, o colunista busca motivos na literatura de Borges e García Lorca para entender quem merece erguer a taça: o veterano argentino Lionel Messi ou o jovem espanhol Lamine Yamal.
Motivos de uns e outros: crônica sobre Argentina x Espanha na Copa
Os pássaros que na crônica passada eu mencionei como as criaturas que me avisavam sobre quem ganharia partidas na Copa do Mundo sumiram de Copacabana. Eu olho para o céu na mesma hora em que eles costumavam passar e não os vejo mais. Me deixaram à deriva num mar de possibilidades.
Os motivos de uns e outros para vencer a final da Copa do Mundo vão além do campo: pela Argentina, a lógica reversa de Borges sugere que os gols chegam quando ninguém espera. Pela Espanha, García Lorca inspira um jogo que flutua entre brisa e furacão. O título é um mistério.
A profecia que se foi
Dessa forma, como não tenho mais a profecia voadora, me pego aqui na frente do meu parceiro computador tentando encontrar motivos que me façam vislumbrar quem merece mais erguer a taça do mundo neste domingo: o veterano argentino Lionel Messi ou o jovem espanhol Lamine Yamal.
A ausência dos pássaros me deixou sem aquele fio de certeza que eu tinha antes. Agora, cada palpito é um chute no escuro. E é nesse escuro que a literatura entra em campo.
Borges e a lógica reversa da Argentina
Pelo lado da Argentina, penso que um bom motivo pode ser encontrado na literatura do mago Jorge Luís Borges, sujeito que passou a vida a meditar sobre o tempo, afirmando que os caminhos deste se bifurcam a cada instante, fazendo com que surjam as mais diversas sequências.
Pois não seria o multiplicar desses caminhos dos quais nos fala Borges o que faz os craques da seleção "Albiceleste" marcarem seus gols apenas no final das partidas, quando todos já acham que o confronto vai ser decidido nas penalidades? É a lógica reversa que determina o lugar da queda do raio.
A eternidade no momento do gol
Ou então, ainda usando os ensinamentos de Borges, o fato de a Argentina marcar quando ninguém mais espera não estaria traduzindo a ideia de que a eternidade não se refere a um tempo sem fim, mas, isso sim, a própria ausência desse tempo, como se apenas existisse o momento do gol?
A seleção argentina parece ter incorporado essa filosofia. Enquanto o relógio corre, eles esperam. E quando o desespero aperta, eles encontram o ângulo perfeito. É quase como se Borges tivesse desenhado a tática deles.
García Lorca e a dança espanhola
No caso da Espanha, me ocorre procurar motivos nas palavras de Federico García Lorca, para quem o destino, o amor e a paixão, representados pelo povo cigano, andavam de braços dados, tanto podendo alçar voo para o espaço sideral quanto mergulhar rumo ao abismo e à morte.
Se a gente prestar bem atenção, na evolução no campo de jogo da seleção espanhola, que em um dia já foi "fúria" e em outro já foi relógio, vai ver que os seus rapazes jogam como quem flutua. É a força do vento que parece impulsionar os chutes deles: ora sopro de brisa, ora furacão arrasador.
O jogo que flutua
Num instante fingem que vão e não vão, tocam lateralmente, como que se estivessem a brincar de rodinha de bobo. Em outro momento, fingem que ficam, olham com displicência para os telões e, de repente, movidos pelos acordes de guitarras andaluzas, partem para cima dos seus inimigos.
A Espanha não joga futebol, ela dança. E dança ao som de uma música que só Lorca saberia escrever. É imprevisível, é caótica, é bela.
O mistério do título
Resumindo a ópera (ou o tango): com Jorge Luís Borges ou García Lorca a gente pode sempre cruzar os portais da fantasia. Ambos, do alto dos camarotes do estádio, provavelmente não param de sorrir. E enquanto o título não chega, a identidade do campeão permanece só um enorme mistério!
crônicas anteriores sobre a Copa
A final deste domingo não é só um jogo. É um duelo de filosofias. De um lado, a paciência argentina que espera o tempo se desfazer. Do outro, a fluidez espanhola que transforma o campo em palco. Quem vencer, leva mais que a taça: leva a narrativa.
Perguntas Frequentes
Quem é Lionel Messi?
Lionel Messi é o veterano argentino, um dos maiores jogadores de futebol da história, que lidera a seleção argentina na final da Copa do Mundo.
Quem é Lamine Yamal?
Lamine Yamal é o jovem espanhol, destaque da seleção espanhola, que busca erguer a taça na final.
O que Borges tem a ver com a Argentina?
Jorge Luís Borges, escritor argentino, inspirou a reflexão sobre o tempo e a lógica reversa que explica os gols tardios da seleção.
O que García Lorca tem a ver com a Espanha?
Federico García Lorca, poeta espanhol, inspirou a ideia de que a seleção joga como quem flutua, entre brisa e furacão.
Qual é o palpite para a final?
Não tenho palpite. Sem a profecia voadora, o campeão permanece um enorme mistério.
Bruno Yamashiro
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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