Mais de 300 alunos protestam e cobram justiça após morte de jovem de 18 anos em Rio Branco
A morte de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, mobilizou mais de 300 estudantes e professores em caminhada por justiça em Rio Branco. A Polícia Civil do Acre investiga o caso sob suspeita de feminicídio.
A morte de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, mobilizou mais de 300 estudantes e professores em caminhada por justiça em Rio Branco. A Polícia Civil do Acre investiga o caso sob suspeita de feminicídio.
A morte de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, mobilizou mais de 300 estudantes e professores da Escola Estadual Doutor João Batista Aguiar, em Rio Branco, em uma caminhada por justiça e pelo fim da violência contra a mulher. O corpo da jovem foi encontrado na última quarta-feira (2), em um apartamento no bairro Conquista. A Polícia Civil do Acre (PCAC) investiga o caso com prioridade, sob a suspeita de feminicídio.
A dor da perda ecoou entre a comunidade escolar, em especial entre as estudantes. A proximidade de idade transformou o luto individual em causa coletiva. "Quando a gente ficou sabendo que era alguém próximo, mesmo que não estudasse com a gente, mas tinha uma idade próxima da nossa, ficamos muito abalados. Pensamos que poderia ser alguém da nossa sala ou uma amiga. As meninas da escola ficaram extremamente tristes", desabafou Manuela Matos, de 17 anos.
Quem era Maria Ramona
Maria Ramona havia chegado há pouco tempo do município de Jordão. Morando sozinha na capital acreana, mantinha uma rotina exaustiva: trabalhava durante todo o dia e frequentava as aulas à noite.
O diretor da instituição, Wilson Guimarães, relembrou o impacto do relato da jovem durante o acolhimento escolar. "Ela veio para Rio Branco sozinha, trabalhava e se matriculou porque tinha o sonho de fazer medicina. O depoimento dela nos marcou muito, pois, como educadores, sabemos do enorme desafio de ingressar em medicina, ainda mais trabalhando o dia todo e estudando à noite."
Luto oficial e apoio psicológico
Diante do impacto na comunidade escolar, a direção decretou luto oficial, suspendendo as aulas na quinta e na sexta-feira. No retorno às atividades, a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes (SEE) enviou psicólogos para prestar suporte emocional intensivo.
A turma de Ramona foi a primeira a receber o atendimento especializado. "Ontem tivemos o primeiro contato psicossocial com a sala dela. A turma está profundamente abalada, e vamos manter esse acompanhamento contínuo", explicou o diretor.
A caminhada em memória da estudante atraiu também pais e moradores da região, transformando o luto em um manifesto contra a omissão. Valessa Silva, mãe de um aluno, compartilhou um relato pessoal sobre a importância da denúncia. "Já presenciei uma vizinha sofrer violência e não fiz nada na época por medo, falta de informação e receio de represálias. A mulher acabou no hospital. Hoje me arrependo profundamente. Se eu tivesse feito uma denúncia anônima, poderia ter evitado aquela tragédia", alertou.
A mobilização na escola expõe como a violência contra a mulher atravessa a rotina de quem estuda e trabalha, e como a resposta da comunidade escolar pode se tornar um espaço de acolhimento e de cobrança por apuração. A denúncia anônima segue como um canal disponível para quem presencia situações de risco.
Sofia Mendes Carvalho
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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