# Livro sobre racismo: A desigualdade é a nossa cocaína social | Análise

> O livro "A desigualdade é a nossa cocaína social", de Hélio Santos (Companhia das Letras), compara o racismo estrutural a uma droga que normaliza a exclusão racial no Brasil. A obra analisa o período pós-abolição e denuncia como a desigualdade perpetua a marginalização de negros, exigindo reflexão sobre as raízes históricas e sociais do problema.

*Vistok · Estilo Pessoal · 21 de julho de 2026 · Tatiane Rocha dos Santos*

No livro recém-lançado pela Companhia das Letras, Hélio Santos compara a desigualdade racial a uma cocaína social que normaliza a exclusão. Uma análise necessária sobre o dia seguinte à abolição.

## Livro sobre racismo: A desigualdade é a nossa cocaína social

O livro recém-lançado pela editora Companhia das Letras, "14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo", de Hélio Santos, apresenta reflexões sobre o dia seguinte à abolição da escravatura no Brasil. O autor caracteriza essa data como "o dia mais longo da nossa história".

## A desigualdade como cocaína social

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, o professor e doutor em Administração pela USP afirmou: "A escravidão inaugura um processo de desigualdade que a sociedade brasileira normalizou. Esta cocaína social, que é a desigualdade, alimentada e retroalimentada, é exatamente o que faz com que o nosso país tenha uma baixa calibragem democrática".

Para Santos, a questão racial continua sendo um obstáculo central para o avanço do país.

## A Lei Áurea e o Decreto 528

O estudioso considera a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1988, a mais lacônica da história brasileira. "A chamada Lei Áurea traz dois artigos. Declara-se extinta a escravidão no Brasil, e declarar não é promulgar -, e o segundo artigo é: revogam-se as disposições em contrário. Para mim, essas disposições em contrário ao escravismo permaneceram", explica.

Ele recorda que, logo em seguida, veio o decreto 528, apelidado de "Lei Glicério". A medida estimulou a vinda de imigrantes europeus para o país e, ao mesmo tempo, proibiu ou criou entraves para a entrada de pessoas da Ásia e da África. "É muito comum falar que a população negra foi abandonada no dia 14 de maio. É uma meia-verdade. Além de abandonada, houve todo o esforço para potencializar outros grupos. Houve uma deliberação do Estado", afirma Santos.

## A proposta de André Rebouças

O professor recorda a proposta de André Rebouças, engenheiro do Brasil Império. Rebouças defendia que a abolição da escravidão fosse acompanhada por uma reforma agrária, com concessão de terras públicas para ex-escravizados como forma de garantir o que chamava de "democracia rural".

Ativista do movimento negro, Hélio Santos comenta: "As famílias escravizadas tinham experiência agrícola, sabiam preparar a terra, plantar e colher. Se, naquela época, [quando] os problemas fundiários do nosso país eram infinitamente menores, a reforma agrária tivesse sido feita, hoje nós estaríamos discutindo aqui outras coisas."

Ele acrescenta que o processo de concessão de terras para imigrantes europeus funcionou como uma política de cotas destinada a pessoas brancas. "Se as famílias escravizadas tivessem tido as mesmas oportunidades que foram dadas aos europeus, nós teríamos outro país."

## Colorismo: uma tese que não se aplica ao Brasil

Outro tema importante tratado no livro é a tese do colorismo. Santos argumenta que ela é inaplicável à realidade brasileira. "O que é que o colorismo divulga? Que as pessoas negras, quanto mais clara for a tonalidade da sua pele, menos problemas elas terão. E, quanto mais escuro for o tom, mais dificuldades ela terá."

Ele compara dados de pretos e pardos: "Do ponto de vista da pobreza, os pardos são tão ou levemente mais pobres do que os pretos. E, do ponto de vista da escolaridade, os pardos têm menos anos de estudo do que os pretos, mas estão muito juntos e, na renda, estão iguais." Para o autor, a tese desenvolvida por Alice Walker nos Estados Unidos não funciona aqui.

## Por que este livro importa agora

Em um momento em que o debate racial ganha novos contornos no país, a obra de Hélio Santos oferece uma chave de leitura histórica e crítica. A ideia da desigualdade como cocaína social nos ajuda a entender por que o racismo permanece como um obstáculo à democracia plena.

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## Perguntas Frequentes

### O que é a cocaína social mencionada no livro?

É a metáfora usada por Hélio Santos para descrever a desigualdade racial normalizada pela sociedade brasileira.

### Quem é Hélio Santos?

Professor e doutor em Administração pela USP, ativista do movimento negro e autor de "14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo".

### O que foi o Decreto 528?

Apelidado de "Lei Glicério", estimulou a imigração europeia e dificultou a entrada de asiáticos e africanos no Brasil.

### Qual a crítica à Lei Áurea?

Santos a considera lacônica, com apenas dois artigos, e afirma que as disposições contrárias ao escravismo permaneceram.

### O que é colorismo?

Tese que sugere que negros de pele mais clara sofrem menos preconceito. Santos argumenta que não se aplica à realidade brasileira.

### Onde comprar o livro?

O livro "14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo" foi lançado pela editora Companhia das Letras.

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Fonte (canonical): https://vistok.com.br/estilo-pessoal/livro-sobre-racismo-desigualdade-nossa-cocaina-social/
