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Eudo Raffael (PCB): "A esquerda oficial fugiu da esquerda"

ResumoEudo Raffael, candidato do PCB ao governo do Acre, declarou na Expoacre 2026 que a esquerda oficial abandonou princípios transformadores ao se adaptar ao capitalismo. A proposta de Raffael defende um projeto de transformação estrutural, distinto das pautas conciliatórias. A entrevista à Folha do Acre marca o posicionamento do PCB contra a acomodação política e a favor de mudanças profundas na sociedade.

Em entrevista à Folha do Acre na Expoacre 2026, Eudo Raffael, candidato do PCB ao governo, afirma que a esquerda oficial se adaptou ao capitalismo e propõe um projeto de transformação estrutural.

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Bruno Yamashiro
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Eudo Raffael (PCB): "A esquerda oficial fugiu da esquerda"
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Em entrevista à Folha do Acre na Expoacre 2026, Eudo Raffael, candidato do PCB ao governo, afirma que a esquerda oficial se adaptou ao capitalismo e propõe um projeto de transformação estrutural.

Eudo Raffael (PCB) na Expoacre: "A esquerda oficial fugiu da esquerda"

O candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) ao Governo do Acre, Eudo Raffael, afirmou nesta quinta-feira (6), durante entrevista ao estande da Folha do Acre na Expoacre 2026, que sua candidatura busca apresentar uma alternativa à esquerda tradicional e defender um projeto de transformação estrutural da sociedade. Segundo ele, o partido pretende pautar o debate sobre desigualdade social, desenvolvimento econômico e geração de empregos no Estado.

Resposta direta: Eudo Raffael, candidato do PCB ao governo do Acre, disse na Expoacre que a esquerda oficial "fugiu da esquerda" ao se adaptar ao capitalismo. Ele propõe um plano de desenvolvimento bioeconômico, redução da jornada de trabalho e crítica à concentração de lucros. A campanha será financiada por militantes e doações voluntárias.

A avaliação interna que motivou a candidatura

Raffael explicou que a decisão de disputar o governo veio após uma avaliação interna do partido sobre o cenário político acreano. Ele destacou a participação do PCB em movimentos sociais e manifestações no Estado.

"A gente fez uma avaliação. A gente participa de vários movimentos sociais, organizados ou não, mas a gente está sempre ali à frente das grandes manifestações do Estado, desde muito tempo", disse.

A crítica central do candidato é a de que a esquerda tradicional perdeu sua identidade.

"Nas últimas eleições, a gente tem visto a esquerda fugir da esquerda. A esquerda oficial não se identifica mais com a esquerda, não usa mais o vermelho, não fala mais de igualdade social. Parece que se adaptou à regra, se adaptou ao capitalismo e vive muito bem nele."

Um projeto de sociedade para além do capitalismo

Segundo Raffael, o PCB decidiu disputar o governo para discutir outro modelo de sociedade, centrado na classe trabalhadora.

"A gente precisa discutir a sociedade. A gente precisa falar de uma sociedade feita de trabalhadores, para trabalhadores, e que a gente tenha como futuro a emancipação da classe."

O candidato também avaliou as gestões anteriores do Partido dos Trabalhadores no Estado, reconhecendo desafios, mas criticando a falta de um projeto de longo prazo.

"Eles tinham grandes desafios quando chegaram ao governo, tinham muita coisa para ser feita, mas não tinham plano de fundo. Depois que a gente arrumar o capitalismo, para onde a gente vai? Eles não tinham isso. É a boa gestão do capital, só que a boa gestão do capital ainda é ruim para a classe trabalhadora, porque explora, gera desemprego, gera miséria."

Jorge Viana e Gladson Cameli: mesma política econômica

Questionado sobre o legado dos governos petistas, Raffael afirmou que houve diferenças na condução administrativa, mas avaliou que ambos seguiram o mesmo modelo econômico.

"Inclusive, é inegável. Você pega oito anos do Jorge Viana como governador e oito anos do Gladson Cameli, coloca numa balança e pesa. Fizeram a mesma política econômica, mas protegendo o capitalismo acreano. Jorge Viana foi melhor. Só que não tinha futuro."

Para o candidato, a principal diferença entre o PCB e os demais partidos de esquerda está no objetivo político.

"O objetivo do Partido dos Trabalhadores e do resto da esquerda que disputa o programa oficial não é uma revolução social, a igualdade entre todos. Eles têm realmente a boa gestão, a social-democracia, reformar para melhorar. Quando você põe esse limite, você não consegue avançar. A gente precisa de uma nova sociedade."

Propostas: bioeconomia, emprego e redução da jornada

Raffael afirmou que a prioridade de um eventual governo seria implementar um plano de desenvolvimento voltado para a bioeconomia e para a redução das desigualdades.

"Hoje em dia o que a gente vai fazer é um plano de desenvolvimento bioeconômico de combate à desigualdade social. A gente pretende criar uma sociedade do trabalho, industrializar parte da nossa produção, fortalecer a produção agrícola ecológica e familiar, criar empregos com mais durabilidade e direitos."

Ele também defendeu a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e criticou a concentração de lucros nas grandes empresas.

"A gente precisa rediscutir os lucros e dividendos que saem das grandes empresas acreanas e vão direto para a matriz. Às vezes fora do país, e não fica nada além do salário dos próprios empregados."

A fuga de jovens e a necessidade de um Acre que volte a sonhar

Segundo o candidato, a falta de oportunidades tem levado jovens a deixar o Acre.

"O que está acontecendo hoje é que não sobra oportunidade para os nossos jovens. A gente está perdendo uma leva de trabalhadores qualificados. A gente precisa de um Acre que volte a sonhar."

PCB: ampliar presença institucional e disputar a sociedade

Ao falar sobre a atuação política do PCB, Raffael afirmou que o partido pretende ampliar sua presença institucional, embora reconheça que hoje concentra sua atuação nos movimentos sociais.

"A gente quer disputar a sociedade. A gente quer apresentar uma nova possibilidade de sociedade e optou por concorrer às eleições majoritárias. Nós temos candidato a presidente e candidato a governador."

Durante a entrevista, ele informou ainda que o partido decidiu apoiar outras candidaturas em diferentes cargos.

"A gente resolveu apoiar quem está do nosso lado nas manifestações de rua, que é o pré-candidato a deputado federal André Kamai e o pré-candidato a deputado estadual Cesar Ibrahim."

Campanha com o pé no chão: financiamento militante

Ao final da entrevista, Raffael afirmou que a campanha será financiada pelos militantes e por doações voluntárias.

"O partido não tem fundo partidário, a gente não tem empresas, não tem ninguém com grandes salários de apoio. Então a gente vai fazer nossa campanha com o pé no chão, com o próprio salário dos militantes e com a ajuda que está vindo da internet."

Perguntas Frequentes

Quem é Eudo Raffael?

Eudo Raffael é o candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) ao Governo do Acre nas eleições de 2026. Ele concedeu entrevista à Folha do Acre durante a Expoacre.

O que Raffael critica na esquerda tradicional?

Ele afirma que a esquerda oficial "fugiu da esquerda", ao se adaptar ao capitalismo e abandonar pautas como igualdade social e o uso do vermelho como símbolo.

Quais são as principais propostas de Raffael?

As propostas incluem um plano de desenvolvimento bioeconômico, redução da jornada de trabalho, industrialização da produção e fortalecimento da agricultura ecológica e familiar.

Quem o PCB apoia para deputado?

O partido decidiu apoiar André Kamai para deputado federal e Cesar Ibrahim para deputado estadual, ambos pré-candidatos.

Como será financiada a campanha de Raffael?

A campanha será financiada pelos militantes e por doações voluntárias, já que o partido não tem fundo partidário nem apoio de empresas.

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Bruno Yamashiro

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