Jornalismo e rótulos: quando a notícia vira provocação
Depois de três décadas de jornalismo, o colunista Lúcio Costa questiona: quando deixamos de informar para provocar? Uma defesa da ética e dos fatos acima dos rótulos.
Depois de três décadas de jornalismo, o colunista Lúcio Costa questiona: quando deixamos de informar para provocar? Uma defesa da ética e dos fatos acima dos rótulos.
Quando o jornalismo se rende aos rótulos
O colunista Lúcio Costa, da Folha do Acre, abre o artigo com um sentimento raro: a tristeza de quem vê a profissão se afastar da essência. Não foi um fato político, uma decisão judicial ou uma denúncia que o provocou. Foi uma manchete. Depois de trinta anos de jornalismo, ele confessa que dói perceber como parte da profissão perdeu a capacidade de distinguir notícia de provocação.
O momento em que a manchete deixou de informar
Costa se pergunta: em que momento nos afastamos tanto da essência? Quando passamos a apresentar pessoas por rótulos que despertam reações imediatas, em vez de ideias, propostas e responsabilidades públicas? Ele lembra que aprendeu que manchetes existem para informar. Hoje, vê muitas sendo escritas apenas para causar impacto. E não aceita isso com naturalidade.
Rótulos não medem competência
O texto é direto: se uma candidata é cristã, isso não a torna mais preparada para governar. Se outra é lésbica, isso também não a torna mais ou menos capaz de administrar um Estado. O que interessa ao cidadão não é religião nem orientação sexual. O que importa é competência, caráter, propostas e capacidade de liderar e enfrentar os problemas da população.
Quando uma manchete escolhe destacar justamente o que mais divide, ela deixa de priorizar a informação e passa a explorar identidades que despertam paixões, preconceitos ou aplausos. É aí que a reportagem vira militância, e a manchete vira indução antes da primeira linha.
A escola do jornalismo que Costa defende
Costa se diz de outra escola. Da escola em que a manchete era escrita depois da apuração, e não antes. Da escola em que ética não era detalhe. Ele continua acreditando que o jornalismo deve provocar reflexão, nunca manipulação. Deve esclarecer, nunca reduzir pessoas a uma única característica. Deve construir pontes de entendimento, não muros de intolerância.
Ele não escreve para defender candidaturas nem para atacar quem pensa diferente. Escreve porque acredita que a credibilidade do jornalismo vale mais do que alguns segundos de repercussão nas redes sociais.
O que está em jogo quando os rótulos vencem
A mensagem final é um alerta: se os jornalistas aceitarem que rótulos são mais importantes que os fatos, deixarão de servir à sociedade para servir ao espetáculo. Nesse dia, o jornalismo terá perdido muito mais do que sua qualidade. Costa promete defender esse jornalismo enquanto tiver uma linha para escrever.
Por que essa discussão importa agora
O artigo chega em um momento em que o debate público se polariza em identidades. Para quem acompanha política e mídia, a crítica de Costa é um lembrete de que a informação de qualidade exige apuração e contexto. ética no jornalismo digital é um tema que volta à tona sempre que uma manchete vira piada ou briga nas redes.
Perguntas Frequentes
O que motivou o artigo de Lúcio Costa?
Foi uma manchete que destacava um rótulo em vez de propostas. Costa, com 30 anos de jornalismo, sentiu que a profissão estava se afastando da essência de informar.
Qual é a principal crítica do texto?
A crítica é contra manchetes que usam religião ou orientação sexual para provocar reações, em vez de focar em competência, caráter e propostas dos candidatos.
O que Costa defende como papel do jornalismo?
Ele defende que o jornalismo deve informar com fatos apurados, provocar reflexão e construir entendimento, nunca manipular ou reduzir pessoas a uma única característica.
O artigo apoia ou ataca algum candidato?
Não. Costa afirma explicitamente que não escreve para defender candidaturas nem para atacar quem pensa diferente. O foco é a ética profissional.
Onde o artigo foi publicado?
O artigo foi publicado na Folha do Acre, onde Lúcio Costa é jornalista e colunista. A data de publicação é julho de 2026.
Bruno Yamashiro
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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